Surto provocado pela rara variante Bundibugyo já soma mais de 1.500 casos confirmados; especialistas alertam para risco de expansão regional e dificuldades no combate à doença.
A República Democrática do Congo (RDC) enfrenta o maior surto de Ebola registrado nos últimos anos. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde do país apontam que 506 pessoas morreram em decorrência da doença, enquanto o número de casos confirmados chegou a 1.561 até este domingo (5), evidenciando o avanço acelerado da epidemia.
O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio de 2026 e está concentrado principalmente na província de Ituri, mas já alcançou também as regiões de Kivu do Norte e Kivu do Sul, além de registrar casos importados em Uganda.
Variante rara preocupa autoridades
Diferentemente dos surtos mais conhecidos, o atual é causado pelo vírus Bundibugyo (BDBV), uma variante do Ebola para a qual não existe vacina licenciada nem tratamento específico aprovado.
Essa característica torna o controle da epidemia ainda mais complexo. Atualmente, pesquisadores iniciaram um estudo clínico para avaliar medicamentos experimentais capazes de reduzir a mortalidade da doença.
Números do surto
Até a atualização mais recente:
- 1.561 casos confirmados
- 506 mortes confirmadas
- Taxa de letalidade aproximada: 32%
- Mais de 1.000 pessoas seguem em monitoramento como contatos próximos
- Casos registrados em três províncias do leste da RDC
- Casos importados confirmados em Uganda
O que dificulta o controle
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e organizações humanitárias, diversos fatores contribuem para o avanço da doença:
- conflitos armados em áreas afetadas;
- deslocamentos constantes da população;
- dificuldade de acesso das equipes médicas;
- desinformação e resistência de comunidades às medidas sanitárias;
- ataques contra centros de tratamento;
- escassez de profissionais e equipamentos de proteção.
A situação pode se agravar após profissionais de saúde ameaçarem interromper parte das atividades devido ao atraso no pagamento de salários e à falta de condições adequadas de trabalho.
Impacto econômico
Além da crise sanitária, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estima que o atual surto poderá provocar perdas econômicas de até US$ 3,6 bilhões no continente africano, dependendo da evolução da epidemia.
O relatório também projeta a possibilidade de 328 mil empregos perdidos, caso a transmissão alcance novos países da África Central e Oriental.
Como o Ebola é transmitido?
O Ebola não é transmitido pelo ar. A infecção ocorre por contato direto com:
- sangue;
- secreções e fluidos corporais;
- objetos contaminados;
- corpos de pessoas falecidas pela doença;
- animais infectados.
Os sintomas iniciais incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, vômitos e diarreia. Nos casos graves, podem ocorrer hemorragias e falência múltipla de órgãos.
Comunidade internacional intensifica resposta
A OMS classificou o evento como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional e ampliou a mobilização de recursos para conter o avanço do vírus.
Laboratórios foram instalados nas regiões afetadas, hospitais de campanha ampliaram sua capacidade de atendimento e um estudo clínico internacional está avaliando novos tratamentos para pacientes infectados pela variante Bundibugyo.
Panorama
Embora a taxa de letalidade atual esteja abaixo da observada em alguns surtos históricos de Ebola, o crescimento contínuo dos casos, a ausência de vacina para a variante circulante e a instabilidade na região fazem com que especialistas considerem este um dos episódios mais preocupantes da doença na última década. A prioridade das autoridades sanitárias é interromper a cadeia de transmissão antes que novos países africanos registrem surtos sustentados.
